Combinando arte, cultura, tecnologia, design, literatura e negócios e tendo como missão atualizar a percepção dos brasileiros sobre o Japão contemporâneo, foi inaugurada, no dia 06 de maio, na capital paulista, a Japan House São Paulo. Reunindo autoridades do Brasil e do Japão em sua inauguração, o centro cultural chamou a atenção da população paulista, e em seu primeiro final de semana de funcionamento recebeu quase 8 mil visitantes, que enfrentaram enormes filas para conhecer o “novo Japão” apresentado pelo espaço.

A iniciativa, que teve investimento total de R$ 100 milhões, faz parte de um projeto global do governo japonês que contará também com filiais em cidades como Londres, na Inglaterra, e Los Angeles, nos Estados Unidos. “A Japan House pretende ser um local flexível e diversificado. Não apenas um edifício com diversas atividades, mas um ambiente de estabelecimento de novas ideias e relações”, ressalta o diretor de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Naoto Nakahara.

A casa, localizada na avenida Paulista, 52, tem projeto do consagrado arquiteto japonês Kengo Kuma, que transformou o espaço já existente com a utilização de materiais naturais. Kuma, privilegiou a comunicação entre as pessoas, por isso, não há paredes fixas, os espaços são modulados, conforme a necessidade, por meio de portas deslizantes. Já a fachada é composta por uma espécie de cortina de réguas de madeira trabalhadas por artesãos japoneses, que dialogam com uma parede de cobogós, pequenos blocos vazados, comuns na arquitetura brasileira.

Junto com outros espaços como Masp, Casa das Rosas, Itaú Cultural, e os aguardados Instituto Moreira Salles e Sesc Paulista, a Japan House confirma a tendência da avenida Paulista em ser uma grande vitrine cultural para a cidade. E nos próximos meses, a Praça Oswaldo Cruz, no início da avenida, receberá um jardim japonês, projetado também por Kengo Kuma.

Segundo o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, a cidade foi escolhida por abrigar a maior comunidade japonesa fora do Japão e por ser o principal centro econômico da América Latina e um polo importante de produção artística e cultural. “Nós queremos mostrar um Japão sem esteriótipos e queremos ser uma plataforma de intercâmbio cultural, educacional e tecnológico, aproximando ainda mais o Brasil e o Japão”, esclarece Nakamae.

Ryuichi Sakamoto emocionou o público com seus sucessos e músicas em homenagem a Tom Jobim

Em seus três andares e 2.500 m², a Japan House SP promoverá exposições, seminários, workshops e atividades que trarão ao Brasil os mais relevantes criadores japoneses da atualidade nas artes, design, moda, gastronomia, ciência e tecnologia. O espaço abrigará ainda lojas de produtos japoneses, restaurante, biblioteca e café.

De acordo com a presidente da Japan House SP, Angela Hirata, o centro extrapola as fronteiras da arte e da cultura para também colaborar nos negócios. “Nós inauguramos o marco da forte relação entre Brasil e Japão. A Japan House sempre estará ligada aos negócios e a sustentabilidade”, explica. Empresas japonesas como a loja de departamento Beams, e a gigante do design Muji, devem inaugaurar suas lojas no espaço, nos próximos meses.

Jun Miyake apresentou o projeto “The Here and After” acompanhado por um grupo variado de talentos

E para comemorar a tão aguardada inauguração, a Japan House SP promoveu um concerto gratuito, no dia 07 de maio, com os músicos japoneses Jun Miyake e Ryuichi Sakamoto, na área externa do Auditório do Ibirapuera. Para além das paredes do prédio da Paulista, o artista japonês Makoto Azuma, desde o início de abril, anunciou por toda a cidade esse novo espaço multicultural por meio da chamada Flower Messenger. Performance diária em que trinta ciclistas voluntários pedalaram pelas ruas da capital paulista, com bicicletas repletas de flores.

Exposições, workshops, gastronomia e muito mais 

Para apresentar o Japão moderno para o mundo, a Japan House contará com um portfólio variado de atividades. O espaço promoverá exposições, palestras, seminários, eventos culturais e performances artísticas, além de abrigar restaurante, cafeteria e lojas com produtos e artesanatos japoneses. Conheça, a seguir, algumas da principais atividades da casa.

Exposições

Para contemplar tudo o que a cultura, as belezas e a inovação japonesa podem oferecer, a Japan House irá trazer diversas exposições de diferentes temas. Assim, os visitantes poderão ver de perto objetos, artes e novidades vindas diretamente do Japão. Além da exposição “Bambu – Histórias de um Japão”, que acontece até o dia 09 de julho, outras oitos exposições devem marcar presença no espaço até o final do ano. “Arquitetura e design serão temas de destaque nas próximas mostras. Nomes como Sou Fujimoto, Kengo Kuma e Shunji Yamanaka, estarão presentes na Japan House nos próximos meses”, revela o curador e diretor de programação da JHSP, Marcello Dantas.

Workshops e eventos

Com o objetivo de ampliar a troca de conhecimento entre Brasil e Japão, uma vasta programação de palestras e workshops, com conteúdos diversos, fará parte do dia a dia da Japan House. O espaço também receberá lançamentos de produtos, encontros de negócios, seminários executivos e outros eventos empresariais.

Espaço Multimídia

Os visitantes contarão ainda com um espaço multimídia com quase 2 mil livros, em japonês, inglês e português, selecionados por Yoshitaka Haba, da empresa Bach, que estarão disponíveis para consulta, divididos em dez categorias: Comer, Viajar, Estilo de Vida, Cultura, Design, Tecnologia, Arquitetura, Japão e Brasil e Crianças. O local também disponibiliza 200 mangás e tablets para navegar por sites e conteúdos digitais.

Consumo

Dentro da Japan House o público também encontrará artesanato tradicional e produtos importados do Japão. São duas lojinhas. A Madoh, no térreo, com peças de design, cerâmicas, utensílios especiais, bebidas e produtos alimentícios de diferentes províncias japonesas. E a Furoshiki, no primeiro andar, espaço dedicado a difundir o uso e a técnica do furoshiki, tecido utilizado em embalagens tradicionais japonesas.

Gastronomia

Adorada pelos brasileiros, a gastronomia japonesa não poderia ficar de fora desse espaço multicultural. Será possível experimentar as delícias da terra do sol nascente em dois ambientes. No Imi Café, localizado no térreo, que terá chás e doces típicos japoneses, mesclados com quitutes e bebidas brasileiras. O choux cream e as tortinhas, feitas no estilo oriental, e o bolo de matchá (chá verde) com ganache e mascarpone, são os destaques da cafeteria. E no Junji Sakamoto, no segundo andar, comandado pelo prestigiado chef Jun Sakamoto. O restaurante terá entradas, como tartare de salmão e atum, pratos principais como sushi, sashimi à la carte ou em combinados, além de teishokus especiais. Saquês nacionais e importados, drinks, cervejas, vodcas, chás e sucos naturais completam o cardápio. “O restaurante, que tem capacidade para atender 70 pessoas, será operado pelo Jun Sakamoto em parceria com grandes chefs japoneses que farão eventos e workshops na Japan House”, conta Dantas.

“Bambu – Histórias de um Japão”

Para marcar a abertura da Japan House São Paulo, a temática escolhida para a primeira exposição foi o bambu, um elemento protagonista da cultura do Japão. Com o tema “Bambu – Histórias de um Japão”, a mostra acontece até o dia 09 de julho e ocupa o térreo e o segundo andar da JPHS. A ideia é revelar uma coleção de obras que formam uma cronologia visual de mais de 150 anos de arte com bambu.

“O bambu é uma espécie de ingrediente secreto que se manifesta de diferentes formas no tecido cultural do país. Os atributos do bambu confundem-se com os da própria cultura japonesa e explicam seu papel de protagonista silencioso dentro dela – vale mais existir do que se exibir”, enaltece o curador e diretor de programação da JHSP, Marcello Dantas.

Além de Dantas, a exposição tem a co-curadoria de Joel Earle (ex-diretor da Japan Society e especialista em Arte Japonesa da casa de leilões Bonhams), Hiroyuki Hashiguchi (historiador e antropólogo japonês) e Thaís Gurgel (pesquisadora brasileira). A mostra tem ainda apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Brasil e dos patrocinadores Bradesco, MUFG e Mitsubishi Electric.

Com múltiplas aplicações, segundo Dantas em todo o planeta há mais de 5 mil usos registrados para o bambu, o Japão utiliza esse elemento simples em centenas de momentos da vida cotidiana do país. E ao longo da exposição, o público terá contato com algumas dessas abordagens.

Para começar, o visitante é convidado a descobrir dez momentos da História do Bambu no Japão, por meio de vitrines localizadas logo na entrada do espaço cultural. “O bambu revela-se em rituais como a cerimônia do chá, se estende às artes marciais, da música à arquitetura, das artes visuais aos utilitários rurais, dos ritos religiosos às brincadeiras de criança, da literatura à inovação e à tecnologia. Desde sempre, ele permeou toda a vida desse povo, colocando em linha o Japão contemporâneo e o da Pré-história”, detalha o curador.

O bambu também surpreende no âmbito das invenções. A mostra revela curiosidades sobre o uso desse material em descobertas como a lâmpada do Thomas Edison, que usou o bambu como filamento para seu invento, e na criação do 14 Bis e o Demoiselle, por Santos Dumont, que enxergou no bambu um material leve e barato para produzir sua aeronave e, assim, popularizar a aviação.

Ainda no térreo, uma sala reproduz uma floresta de bambu, na qual os visitantes, após tirar os sapatos, podem se deitar e assistir a edição reduzida do filme O Conto da Princesa Kaguya (2013), do diretor Isao Takahata, do aclamado Studio Ghibli (Tóquio).

Os principais nomes da arte do bambu no Japão atual também estão presentes na exposição com suas obras, mostrando as muitas possibilidades de trabalho com o material. Três deles vieram do Japão para construir, pessoalmente, suas obras no Brasil. Akio Hizume usou 600 estacas de bambu para montar uma escultura que dispensa juntas ou apoio no solo para se manter estável. A obra pode ser apreciada na área externa da Japan House.

Já no segundo andar, Chikuunsai IV Tanabe criou uma espécie de árvore, que comunica o piso e o teto da sala entrelaçando 5 mil tiras de bambu sem nenhuma estrutura complementar ou cola. A instalação tem três metros de altura e é feita de bambu tigre. “A obra é transitória, mas o material é permanente, já que o artista o utiliza em outras obras. Mas, cada uma é única em cada mostra, já que a instalação é feita para aquele espaço e arquitetura”, explica Dantas.

Na mesma área é possível apreciar ainda a obra de Shigeo Kawashima, que durante dez dias confeccionou sua instalação com trinta troncos de 3,5 metros cada um, formando uma espécie de ponte em círculo, simbolizando o relacionamento entre o Brasil e o Japão.

Completa a vibrante exposição, a seleção de peças de Kazuo Hiroshima, um dos poucos mestres do artesanato rural em bambu. As obras do artesão destacam a importância dessa planta como coadjuvante no cotidiano da produção rural japonesa.

Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52
Terça-feira a sábado, das 10h às 22h
Domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada gratuita
www.japanhouse.jp/saopaulo/
www.facebook.com/JapanHouseSP

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