Quer colaborar? Torne-se uma liderança!

Quer colaborar? Torne-se uma liderança!

Leandro Modé

Por Ceila Santos

Ceila Santos

A pandemia trouxe as crianças, o cachorro, o gato e os idosos para o campo do trabalho. E, lógico, o(a) companheiro(a), grupo de amigos que divide a casa ou a solidão. Quem não liderar essa vida nova, dentro das funções e responsabilidades a que já estava habituado no seu dia a dia fora de casa, pode perder o bonde da colaboração. De origem latina, a palavra tem significado simples “trabalhar com”. Ou seja, fazer junto. Na prática, colaborar tem interpretações bem diferentes: ajudar o outro, entregar parte do trabalho ao outro, suprir a necessidade de outros. Focado na entrega e cheio de boas intenções, quem diz que colabora ainda não entendeu o significado de ajuda mútua, escuta e exercitar a confiança.

É fácil para jornalistas, RPs e
publicitários falar de fenômenos disruptivos, analisar tendências e categorizar
os desafios; vivemos disso. Somos perguntadores do mundo. A Comunicação é o
mundo das ideias, dos conceitos, símbolos, mensagens e transmissão. E, como
vivemos na era do conhecimento, analisar o futuro é como beber água no
dia a dia. Alguns profissionais também têm o hábito de olhar o passado,
principalmente aqueles que investigam e usam a linha histórica para compreender
o presente. Lex Bos (1957-2005), sociólogo e consultor holandês, mostra o
quanto essas duas habilidades de análise, do passado e do futuro, faz parte do
processo comunicativo de todo ser humano. Primeiro a gente julga o que acontece
(passado/fatos) e depois como algo deve ser (futuro/normas). Ele nomeia a
tendência de olhar para o passado como caminho cognitivo e, para o
futuro, de optativo. Se esse é o trabalho natural, que inclui funções e responsabilidades
da comunicação, penso que a liderança da comunicação pode servir de inspiração
para todos que desejam colaborar de forma genuína. Ou seja, saindo do lugar
comum e velho, de fazer pelo outro ou para o outro, e praticando a origem da
palavra, com outro.

Pra começar essa partilha era necessário
definir quem é a liderança da comunicação. Minha escolha foi pelo domínio
econômico, o corporativo, que hoje é o ponto nevrálgico, que sustenta os dois
lados do chamado balcão – RP e jornalista – e ainda se relaciona commarketing. Leandro Modé, superintendente
do Itaú Unibanco, premiado pela Aberje em 2019, foi o primeiro que
aceitou abrir esse diálogo no Jornalistas&Cia.
Respondeu meu contato de forma rápida, receptiva e sem intermediários. Abertura.
Qualidade primordial para transformar em juízos os julgamentos do caminho
cognitivo e optativo, identificados por Bos.

Leandro revelou que o Itaú Unibanco já
reconhece a colaboração como princípio a ser desenvolvido nas relações para a
sustentabilidade do negócio e investe nas equipes multidisciplinares para áreas
diferentes trabalharem juntas numa meta comum. Esse é o começo da brincadeira.
Pra ela prosperar vai ser crucial que cada integrante aprenda a comunicar fora
do senso comum. Aprenda a ser líder de si. Aprenda a tomar decisões não só em
prol do comum, que se agrega nessas equipes, mas que insira o que está
conectado à equipe-multi. Clientes? Fornecedores? Não. Coronavírus!
O que estamos aprendendo agora nesta crise? Responsabilidade do
contágio.
Somos todos um. Não basta conhecer ou falar da globalização. É
preciso vivê-la.

É aí que entram as metodologias de
Desenvolvimento Humano e Organizacional. Bos ensina que perguntadores, como nós,
quando usam os caminhos propostos, tornam-se pesquisadores quando olham
para o passado e empreendedores, quando olham para o futuro. Essa
postura de quem investiga para compreender o mundo ou de quem empreende para
mudar o mundo é o ponto de partida para a formação do juízo. Só que ele só
acontece quando a gente consegue distinguir os caminhos e relacionar
um com outro.

Pra cair a ficha do que isso significa,
lembra de alguma reunião em que seu coração fervia dentro de si porque desejava
resolver logo o problema, mas aquela pessoa, ou grupo, insistia em perguntar
mais, averiguar mais, diagnosticar mais. Seja qual for o lado em que se
posiciona, se não houver consciência e técnica, conflito e mal-estar serão
gerados e não cuidados, pois todos os percebem. Batizada pela sigla FDJ,
a Formação de Dinâmica de Juízo nos ajuda neste discernimento e na correlação
dos caminhos citados, com uma técnica muito simples – identificando ora o
passado ora o futuro, nas posições do tempo, durante o discurso de quem fala.
Isso ajuda os corações ansiosos do futuro a esperar a voz de quem olha para o
passado pra dizer se aquela ideia fantástica e genial, que veio do fundo de si,
honra aquilo que foi, ou só reproduz o velho. É simples, mas não é fácil.

Bos explica que a distinção dos caminhos
não é uma dinâmica de grupo, mas uma distinção psicológica-individual.
“Toda pessoa tem tendências a ver a realidade através dos óculos de suas
intenções, desejos e necessidades próprias”. Ele diz: julgamos o futuro de
acordo com a nossa experiência do passado. Sem que o percebamos, nossas
decisões no caminho optativo são ditadas pelo caminho cognitivo. Se não os distinguirmos
conscientemente, chegaremos a decisões erradas no caminho optativo”. Ou
seja, se as equipes multidisciplinares forem capazes de dialogar a partir da
profundidade dos seus conhecimentos, mesmo que haja soluções, o resultado pode
ser o conhecido.

Se tem algo com que comunicadores e não profissionais
desta área concordam é que haverá mortes – além das existentes – de profissões,
modelos de negócios e organizações depois dessa crise. Nós já lidamos com a
reinvenção da imprensa desde começo do milênio e sabemos o quanto as áreas de
entrega precisam tornar-se mais estratégicas para cumprirem sua função. Não
será a inteligência da capacidade de análise e raciocínio que todo jornalista
tem que irá trazer o novo. Nisso, os algoritmos são melhores que nós. Talvez
seja a hora de aprendermos a formar juízos para criar uma realidade de
comunicação colaborativa, onde haja escuta e ajuda mútua. Bos ensina que a
realidade social
ao nosso redor não cresce como uma floresta natural, ela é
obra humana
. Depende de cada um de nós ter a disposição de discernir o
nosso tempo de fala e escuta para julgar menos e construir mais. Assim
construiremos uma nova comunicação.


Entre os presentes que Jornalistas&Cia oferecerá aos seus leitores no Especial do Dia do Jornalista, está a estreia da coluna Liderança Colaborativa, que abordará os desafios das grandes organizações em harmonizar e integrar as gerações, com seus diferentes perfis, vocação e interesses, nos processos produtivos da comunicação. Ceila Santos se aprofundou na área de Desenvolvimento Humano sob a perspectiva da antroposofia, e trará a cada 15 dias a conversa com um líder de comunicação do País.

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Fonte: Portal dos Jornalistas

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