O coronavírus e os veículos de comunicação – XVI

O coronavírus e os veículos de comunicação – XVI

Veículos independentes formam parceria para monitorar violência doméstica durante a pandemia

Ilustração: Hadna Abreu (Amazônia Real)

Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas e Ponte Jornalismo formaram uma parceria colaborativa para monitorar a violência doméstica durante a pandemia de coronavírus, com o objetivo de dar visibilidade a esse “fenômeno silencioso”. O projeto Um vírus e duas guerras trará ao longo de 2020 diversas reportagens e dados sobre feminicídio durante o isolamento social.

A iniciativa fará um levantamento quadrimestral sobre violência doméstica. Os primeiros dados, obtidos entre março e abril deste ano, apontaram um aumento de 5% nos casos de feminicídio no País, em comparação ao mesmo período de 2019. Nesses dois meses, 195 mulheres foram assassinadas, contra 186 no mesmo período de 2019.

A pesquisa usou dados das secretarias de Segurança Pública de 20 estados. Nove deles registraram juntos um aumento de 54% nos casos de feminicídio. A média observada foi de 0,21 feminicídio a cada 100 mil mulheres. A taxa ficou acima da média em 11 estados.

Leia a íntegra da reportagem da Agência Eco Nordeste sobre a iniciativa.

Pesquisa da Fenaj mostra como a pandemia afeta os jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou em 18/6 os resultados de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia de coronavírus nos profissionais de imprensa nas redações, com ou sem vínculo formal de trabalho. Cerca de 55% dos entrevistados declararam aumento de pressão por acúmulo de tarefas, sobrecarga de horário e cobrança por resultados ocasionados pela pandemia.

Norian Segatto, do Departamento de Saúde da Fenaj, explicou que esse aumento de pressão está relacionado às reduções de salário e demissões, que atingiram boa parte das redações. Segundo os dados, houve redução salarial em cerca de 30% dos veículos, e demissões em 20% deles. Segatto disse que isso causa “sobrecarga para quem ficou, com consequente aumento da cobrança e pressão sobre os/as jornalistas”.

A pesquisa, que ouviu 457 profissionais de todo o País, indicou também uma contradição no que se refere à segurança dos profissionais: aproximadamente 79% dos participantes responderam que as empresas têm garantido condições de saúde e segurança para o exercício da profissão, mas apenas 17,5% consideram satisfatória a quantidade de equipamentos de proteção individual fornecida. Além disso, quase 48% dos entrevistados acreditam que as empresas poderiam melhorar as condições de trabalho durante a pandemia.

A presidente da Fenaj Maria José Braga declarou que “a pandemia agravou a situação que já era grave e, principalmente, em relação às condições de trabalho e salário, porque pode não ser maioria, mas é indicativo o contingente de profissionais que teve o salário reduzido, que é gravíssimo para qualquer trabalhador e ainda mais para um trabalhador que não tem um alto salário, como é o caso do jornalista. Ao contrário do que a maioria pensa, a categoria é mal remunerada e, em um salário já baixo, ter 25% de corte é muitíssimo grave”.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas de SP.

RSF destaca projetos brasileiros entre os “heróis da informação” contra o coronavírus

A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) apresentou em 16/6 uma lista com 30 jornalistas, meios de comunicação e projetos de todo o mundo destacados como “heróis da informação” no combate à pandemia da Covid-19. São profissionais e plataformas que estão contribuindo para difundir informações confiáveis e vitais no contexto da crise sanitária. Entre os trabalhos reconhecidos, dois são brasileiros.

São eles o Gabinete de crise, projeto criado pelas organizações de mídia alternativa Papo RetoVoz das Comunidades e Mulheres em Ação para informar as populações negligenciadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro; e a Rede Wayuri, que reúne 17 jornalistas de oito etnias da Amazônia para evitar a propagação do vírus na região e informar mais de 750 comunidades indígenas. A rede vem produzindo e traduzindo boletins informativos em áudio para diversas línguas nativas.

A organização também prestou homenagem especial a profissionais de imprensa de Guayaquil, primeiro epicentro da epidemia na América Latina. Até o final de abril, pelo menos 13 jornalistas do Equador haviam sucumbido à doença.

Outras iniciativas

Pesquisa da ECA “antecipou” o conceito de redação virtual jornalística

Com a pandemia e o consequente isolamento social, o local do trabalho do jornalista e de outros profissionais de comunicação foi deslocado para o ambiente digital. Contudo, esse processo de “virtualização” das atividades jornalísticas já havia começado e a pandemia tem acelerado essa transmutação.

Defendida no final de 2019, a dissertação A redação virtual e as rotinas produtivas nos novos arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia, de Ana Flávia Marques, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, ensejou o conceito de redação virtual e seu impacto no jornalismo. O trabalho científico avança no desenho conceitual desse novo espaço de produção jornalística.

Para a pesquisadora, a redação é o espaço físico que permite o acompanhamento das transformações do jornalismo. Ela diz que ao olhar para os arranjos alternativos de comunicação foi possível identificar aspectos estruturais da virtualização desta atividade: “É o ambiente em que se modulam e se padronizam as relações de trabalho e é o local possível para se observar como esses jornalistas falam sobre no trabalho em termos ideológicos; como constroem valor de uso e de troca; e como se dão as novas formas culturais das relações de produção, bem como os valores mobilizados para o trabalho e o que levam do trabalho para a sociedade”.

A dissertação pode ser acessada aqui e de forma resumida em artigo aqui

O vírus versus nós

Estamos reproduzindo charges sobre a Covid-19 publicadas na exposição O vírus versus nós, em cartaz no site da Associação dos Cartunistas do Brasil. A desta semana é do brasileiro Custódio (José Custódio Rosa Filho), que desde 1988 faz charges, personagens, tiras e animações para agências de publicidade, sindicatos, revistas, jornais e canais de TV, inclusive do exterior.



Fonte: Portal dos Jornalistas

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