Índice de Preços ao Produtor (IPP) varia 0,61% em junho

Índice de Preços ao Produtor (IPP) varia 0,61% em junho

Os preços da indústria subiram 0,61% em junho, na comparação com maio. O acumulado no ano chegou a 3,94%, enquanto em 12 meses ficou em 6,38%. No mês, 11 das 24 atividades apresentaram altas de preços, contra 15 em maio.

Período Taxa (%)
Junho de 2020 0,61
Maio de 2020 1,16
Acumulado no ano 3,94
Acumulado em 12 meses 6,38
Junho de 2019 -1,13

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange informações por grandes categorias econômicas, ou seja, bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis e semiduráveis e não duráveis).

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções  – Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
ABR/20 MAI/20 JUN/20 ABR/20 MAI/20 JUN/20 ABR/20 MAI/20 JUN/20
Indústria Geral 0,11 1,16 0,61 2,13 3,31 3,94 4,79 4,55 6,38
B – Indústrias Extrativas 4,04 9,13 3,75 -4,00 4,77 8,70 -5,38 -3,04 0,69
C – Indústrias de Transformação -0,05 0,81 0,46 2,41 3,24 3,71 5,29 4,94 6,68
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

Em junho, os preços da indústria variaram, em média, 0,61 % em relação a maio. As quatro maiores variações observadas se deram entre os produtos compreendidos nas seguintes atividades industriais: refino de petróleo e produtos de álcool (17,07%), fumo (-6,08%), calçados e artigos de couro (-5,82%) e outros equipamentos de transporte (-4,25%). Em termos de influência no resultado geral, sobressaíram refino de petróleo e produtos de álcool (1,12 ponto percentual), metalurgia (-0,21 p.p.), alimentos (-0,20 p.p.) e indústrias extrativas (0,17 p.p.).

O acumulado no ano atingiu 3,94%, ante 3,31% em maio. Entre as atividades que tiveram as maiores variações percentuais neste indicador, destaque para refino de petróleo e produtos de álcool (-25,37%), outros equipamentos de transporte (17,71%), madeira (14,47%) e metalurgia (14,41%). Os setores de maior influência foram refino de petróleo e produtos de álcool (-2,70 p.p.), alimentos (1,88 p.p.), metalurgia (0,84 p.p.) e outros produtos químicos (0,53 p.p.).

No acumulado em 12 meses, a variação de preços foi de 6,38%, contra 4,55% em maio. As quatro maiores variações de preços ocorreram em outros equipamentos de transporte (23,96%), refino de petróleo e produtos de álcool (-19,24%), alimentos (17,38%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (16,50%). Nesse indicador, os setores de maior influência foram alimentos (3,85 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (-1,94 p.p.), metalurgia (0,66 p.p.) e veículos automotores (0,55 p.p.).

Em junho de 2020, a variação de preços de 0,61% frente a maio repercutiu da seguinte maneira entre as Grandes Categorias Econômicas: -1,64% em bens de capital; -0,37% em bens intermediários; e 2,51% em bens de consumo, sendo que 0,66% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 2,91% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis. A influência: -0,13 p.p. de bens de capital, -0,20 p.p. de bens intermediários e 0,94 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,04 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 0,90 p.p. nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas  – Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
ABR/20 MAI/20 JUN/20 ABR/20 MAI/20 JUN/20 ABR/20 MAI/20 JUN/20
Indústria Geral 0,11 1,16 0,61 2,13 3,31 3,94 4,79 4,55 6,38
Bens de Capital (BK) 2,65 3,21 -1,64 7,88 11,35 9,53 11,46 14,17 12,94
Bens Intermediários (BI) 1,20 1,01 -0,37 4,19 5,24 4,84 5,14 4,31 5,14
Bens de consumo(BC) -1,93 0,96 2,51 -1,80 -0,86 1,63 2,99 3,01 6,88
Bens de consumo duráveis (BCD) 1,12 1,66 0,66 2,38 4,07 4,76 4,21 5,78 6,44
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) -2,56 0,81 2,91 -2,65 -1,86 0,99 2,73 2,43 6,97
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

 No acumulado no ano, as variações de preços da indústria acumularam, até junho, variação de 3,94%, sendo 9,53% a variação de bens de capital (com influência de 0,71 p.p.), 4,84% de bens intermediários (2,59 p.p.) e 1,63% de bens de consumo (0,64 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,32 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 0,32 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Nos últimos 12 meses, a variação de preços da indústria alcançou, em junho, 6,38%, com as seguintes variações: bens de capital, 12,94% (0,96 p.p.); bens intermediários, 5,14% (2,81 p.p.); e bens de consumo, 6,88% (2,62 p.p.), sendo que a influência de bens de consumo duráveis foi de 0,43 p.p. e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 2,19 p.p. 

 A seguir os principais destaques:

 Indústrias extrativas: em junho, os preços do setor, quando comparados aos de maio, tiveram uma variação de 3,75%, com isso o acumulado no ano chegou a 8,70% e, em 12 meses, a 0,69%. O resultado de junho é o terceiro positivo consecutivo na comparação com o mês imediatamente anterior e, no acumulado desses três meses, o aumento foi de 17,80%, um pouco maior do que a queda que se observara em março (-17,12%).

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a quarta maior influência em comparação com o mês anterior, 0,17 p.p., em 0,69%. 

O resultado positivo esteve ligado ao comportamento dos preços de “óleos brutos de petróleo”, que, entre os destacados, foi o único positivo.

Alimentos: em junho, as variações médias de preços do setor foram de -0,79%, o primeiro resultado negativo desde janeiro, -1,91%. Com isso, no acumulado no ano até junho, houve uma variação de 7,98% e, na comparação junho de 2020 contra junho de 2019, de 17,38%. 

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a terceira maior variação (em módulo) de preços na comparação com igual mês de 2019 e, na perspectiva da influência, a terceira na comparação junho 2020/maio 2020 (-0,20 p.p., em 0,61%), a segunda no acumulado (1,88 p.p., em 3,94%) e a primeira na comparação junho 2020/junho 2019 (3,85 p.p., em 6,38%). 

 Dos quatro produtos destacados em termos de variação, três são derivados de leite, todos com variações positivas de preços, em linha com o período de queda da captação nas bacias leiteiras em época de seca. O “leite esterilizado / UHT / Longa Vida”, que aparece na lista de maiores variações, também se destaca em termos de influência, e é a única variação positiva entre os quatro produtos. As variações negativas recaíram em produtos da pauta de exportação, portanto, que sofreram o impacto de uma apreciação do real frente ao dólar de 7,9%. No caso dos derivados de soja, vale dizer que o estoque mundial está em alta com o fim da colheita na Argentina. Seja como for, os quatro produtos destacados tiveram influência de -1,51 p.p., em -0,79%, o que quer dizer que 0,72 p.p. foi a influência dos demais (39) produtos que compõem a seleção do setor. 

No que tange aos grupos abertos do setor, a situação vista em termos de produto se solidifica. Os grupos cujos preços variaram positivamente foram: “laticínios” (12,55%), “moagem, fabricação de produtos amiláceos e de alimentos para animais” (1,75%) e “torrefação e moagem de café” (0,94%). Por sua vez os preços de “abate e fabricação de produtos de carne” (-0,93%), “fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais” (-1,69%) e “fabricação e refino de açúcar” (-9,25%), setores que englobam os produtos de maior peso no cálculo do setor, variaram negativamente.

 Refino de petróleo e produtos de álcool: na comparação com o mês anterior, desde janeiro (0,65%) é a primeira variação positiva de preços na série (17,07%), mas, mesmo assim, os indicadores de mais longo prazo continuaram com variações negativas, ainda que menos intensas. No acumulado do ano, o resultado de -36,26%, de maio, passou para -25,37% em junho; no acumulado dos últimos 12 meses, passou de -36,01% (maio) para -19,24%.

O setor foi destaque em todos os indicadores calculados. Em termos de variação, a comparação com o mês anterior, além de ter sido o primeiro, foi o único positivo. Os outros setores destacados são aqueles com forte vínculo com o mercado externo, “fabricação de produtos do fumo”, “preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados” e “fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores”, que tiveram variações de preços em linha com a apreciação de 7,9% do real frente ao dólar. Foi também o primeiro destaque na variação acumulada, mas, no caso, com impacto negativo, e a segunda no acumulado dos últimos 12 meses, igualmente negativa. Em termos de influência foi a primeira na comparação com o mês anterior (1,12 p.p., em 0,61%) e no acumulado do ano (-2,70 p.p., em 3,94%) e a segunda no acumulado dos últimos 12 meses (-1,94 p.p., em 6,38%). 

Outros produtos químicos: a indústria química no mês de junho apresentou uma variação média de preços, em relação a maio, de -1,80%, variação negativa com maior intensidade no ano. Desta forma o setor acumulou uma variação positiva de 6,79% em 2020, ainda bem superior a variação acumulada no ano de 2019, que foi de -2,54%. Em relação ao acumulado em 12 meses, a atividade alcançou 2,39%.

Os resultados observados nos últimos meses estão ligados aos preços internacionais, com aumento do preço de diversas matérias-primas importadas, em grande parte devido à depreciação do real frente ao dólar (no ano a depreciação foi de 26,5%, apesar de no mês de junho ter ocorrido uma inversão de sinal, com o real tendo uma valorização de 7,9%) e à redução da oferta. Mesmo assim houve uma recuperação de preços de produtos como a nafta, matéria-prima de diversos produtos químicos.

Em relação aos grupos econômicos da atividade, os destaques foram as variações ocorridas em “fabricação de produtos químicos inorgânicos”, no qual estão os adubos, com -3,30%, maior valor negativo desde o início do cálculo de variação de preços desse grupo industrial, desta forma acumulando 9,56% de variação no ano.

Outro grupo econômico que merece destaque no mês é o de “fabricação de resinas e elastômeros”, com -3,65% de variação, segunda maior queda de preços, também desde o início de cálculo da série. Este grupo tem como um de seus representantes em destaque o produto “polietileno de alta densidade (PEAD)”.

Em relação aos quatro produtos que mais influenciaram o resultado no mês de junho (-1,21 p.p. em -1,80%), houve queda de preços em três: “adubos ou fertilizantes à base de NPK”, “adubos ou fertilizantes minerais ou químicos, fosfatados” e “polietileno de alta densidade (PEAD)”. O único produto desses quatro que teve aumento de preços foi “inseticidas para uso na agricultura”, pertencente ao grupo “fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários”, que teve uma variação média de 0,86% no mês. 

O setor químico se destacou, dentre todas as atividades pesquisadas, em dois dos indicadores analisados: foi a quarta maior influência no acumulado do ano e representou a terceira maior contribuição (8,34%) nos resultados do indicador geral.

Metalurgia: ao comparar os preços médios de junho contra maio, houve uma variação de -3,21%, quebrando uma sequência de cinco variações positivas seguidas de preços. Com isso, o acumulado no ano ficou em 14,41% e o acumulado em 12 meses alcançou a variação de 10,72%. Um ponto a ser ressaltado na variação do mês é que foi a maior variação negativa desde julho de 2019 (-3,75%).

O resultado do mês foi obtido graças, principalmente, a quatro produtos, sendo dois do grupo de materiais ferrosos e dois de não ferrosos, todos com variações negativas de preços. São eles: “ferronióbio”, “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, “ouro para usos não monetários” e “óxido de alumínio (alumina calcinada)”. Os quatro representam -3,31 p.p. da variação no mês, cabendo 0,10 p.p. aos demais 20 produtos. Esses mesmos produtos haviam sido os destaques nos meses de março, abril e maio, porém na maioria das vezes com sinal de variação inverso ao atual.

Os quatro produtos citados como destaques em termos de influência no resultado do mês também o são no acumulado do ano, porém, nesse indicador, todas as variações foram positivas. No acumulado em 12 meses, os produtos se repetem, a menos do produto “óxido de alumínio (alumina calcinada)”, substituído por “bobinas ou chapas de aços inoxidáveis, inclusive tiras”. Já “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, que teve uma variação positiva no acumulado do ano, passa a ter um resultado negativo no acumulado em 12 meses.

O comportamento do setor é influenciado, principalmente, pela combinação dos resultados do grupo siderúrgico (ligado aos produtos de aço) e do grupo de materiais não ferrosos (cobre, alumínio e ouro), que têm comportamentos de preços diferentes. 

Os produtos ligados ao setor siderúrgico são afetados pela necessidade de escoamento do aço chinês, também pela flutuação dos valores do minério de ferro e do real frente ao dólar — no mês de junho, em relação a maio, houve uma valorização do real de 7,9%, porém considerando o acumulado no ano o real depreciou em 26,5%. 

Em relação ao segundo grupo – materiais não ferrosos – os preços costumam apresentar seus resultados ligados às cotações das bolsas internacionais, como pode ser visto na “London Metal Exchange” (LME), sendo que em junho a depreciação do dólar justifica a queda dos preços. 

Veículos automotores: em junho, a variação observada no setor, quando comparada com o mês imediatamente anterior, foi de -0,56%. Este resultado, além de ser a primeira variação negativa no ano, foi a maior queda observada no setor desde abril de 2016, quando variou -0,82%. Com isso, a variação acumulada no ano alcançou 4,53% e, mesmo apresentando um valor menor em relação ao observado no mês passado, ainda é o maior resultado em um mês de junho para este indicador em toda a série histórica. E a variação acumulada nos últimos 12 meses apresentou um aumento de 6,75%.

A atividade de veículos automotores, além de apresentar a segunda maior contribuição no cálculo do indicador geral (8,51%), se destacou, dentre todos os setores pesquisados, por ter sido a quarta maior influência no indicador acumulado dos últimos 12 meses (0,55 p.p. em 6,38%).

O grupo econômico analisado da atividade, “fabricação de automóveis, camionetas e utilitários”, apresentou, no mês de junho, variação de -0,62% na comparação com maio. Além disso, o grupo acumula, no primeiro semestre de 2020, uma variação de 3,75%, ao passo que, nos últimos 12 meses, apresenta um resultado de 6,03%. 

Já em uma análise por produtos no setor, é possível observar que, entre os quatro produtos de maior influência na comparação com o mês anterior, todos eles impactaram negativamente o índice: “automóveis para passageiros, a gasolina ou bicombustível, de qualquer cilindrada”, “bombas injetoras para veículos automotores”, “peças ou acessórios, para o sistema de motor de veículos automotores” e “veículos para o transporte de mercadorias a diesel, de capacidade não superior a 5 t”. A influência desses quatro produtos que mais impactaram a variação do mês em relação ao mês imediatamente anterior foi de -0,51 p.p., ou seja, os demais 19 produtos da atividade também contribuíram negativamente, com -0,05 p.p.

Em relação aos indicadores de longo prazo, acumulado no ano e acumulado nos últimos 12 meses, três produtos de maior influência nos índices são comuns e os impactaram positivamente: “automóveis para passageiros, a gasolina ou bicombustível, de qualquer cilindrada”, “caminhão-trator, para reboques e semirreboques” e “veículos para o transporte de mercadorias a gasolina e/ou álcool, de capacidade não superior a 5 t”. Sobre o indicador acumulado no ano, se destaca a influência do produto “peças ou acessórios, para o sistema de motor de veículos automotores”, e sobre o indicador acumulado em 12 meses, se destaca o produto “caminhão diesel com capacidade superior a 5t”, ambos com impacto também positivo nos respectivos indicadores.

Fonte: IBGE – Agência de Notícias

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