A imprensa esportiva e o coronavírus (IV)

A imprensa esportiva e o coronavírus (IV)

Circuito de Albert Park, em Melbourne, Austrália. Crédito: Zak Mauger/LAT Images/Pirelli

Por Victor Félix, da equipe de J&Cia

A Covid-19 afetou significativamente o mundo dos esportes. Competições e campeonatos adiados ou cancelados, treinamentos suspensos, salários atrasados, demissões, crises, atletas infectados e diversas situações indefinidas são alguns exemplos dos impactos do novo coronavírus nos esportes.

Quando falamos de automobilismo, abordamos grandes eventos esportivos, que não só geram muito dinheiro e patrocinadores, mas também reúnem uma grande quantidade de pessoas, vindas de diferentes regiões do mundo para um único lugar a fim de assistirem às corridas. Algumas etapas da Fórmula 1, por exemplo, chegam a ter cerca de 300 mil pessoas ao longo de um final de semana. Por causa dessas características do esporte a motor, as competições automobilísticas foram suspensas até segunda ordem, a fim de barrar o contágio pelo coronavírus.

Victor Martins. Crédito: Grande Prêmio

Nesse contexto, a imprensa automotiva tem que se adaptar às mudanças causadas pela pandemia, renovando seu conteúdo para conseguir trazer informações relevantes sobre o mundo do automobilismo, mesmo com as competições paralisadas. Victor Martins, diretor-executivo do site Grande Prêmio, conversou com J&Cia sobre as mudanças que ocorreram, novos projetos, e como a doença afetou o dia a dia dos jornalistas. Ele contou que o coronavírus trouxe, acima de tudo, um trabalho de “reinvenção” à equipe, que se reuniu para pensar em novos projetos, e dessa reunião surgiram os programas Fala y Fala, Cadeira Cativa e Passa ou Ultrapassa, que vão ao ar no canal do YouTube do Grande Prêmio. Já no site, Victor disse que a cobertura diária foi reduzida, mas que a equipe está reaproveitando conteúdos frios, mas de amplo interesse.

Também comentou sobre a importância dos eSports em meio à pandemia, vistos como solução momentânea: “A importância dos eSports é grande e mantém não só os pilotos na ativa, mas patrocinadores e imprensa. Ainda há um certo desdém, mas tem sido cada vez menor”. Victor afirmou que, em breve, o Grande Prêmio trará novos projetos relacionados a corridas virtuais: “Do nosso lado, estamos para anunciar a parceria com uma grande categoria brasileira para transmissão das corridas virtuais e trabalhando para realizar uma corrida virtual beneficente com um piloto de renome”.

Ele contou ainda que a equipe segue trabalhando, porém remotamente. Em termos de audiência e impactos econômicos, houve uma queda de 30% nos acessos ao site e as receitas diminuíram, mas ninguém foi demitido e os salários não foram reduzidos. Acrescentou que o trabalho feito pelo Grande Prêmio visa a “mostrar ao mercado que não estamos parados e que há uma série de possibilidades de unirem suas marcas a um conteúdo de primeira feito por um grupo de mais 20 profissionais”.

Confira a íntegra da entrevista:

Jornalistas&Cia − Com a suspensão das competições,
que tipo de conteúdo vocês estão produzindo?

Victor Martins −A
pandemia do coronavírus trouxe um trabalho de reinvenção, na realidade. Nós
usávamos diariamente o canal do Grande Prêmio no YouTube, por exemplo, para
fazer comentários – o GP às 10 –, mas, sem assunto, era difícil falar do
cotidiano. A partir daí, a primeira ação foi reunir o grupo e pensar em
conteúdos novos que pudéssemos realizar normalmente de casa. Um apontou um talk-show,
outro sugeriu um programa com lendas do jornalismo do nosso nicho, aí veio a
indicação até de um game-show. Foi assim que nasceram em curto espaço de
tempo, respectivamente, o Fala y Fala, o Cadeira Cativa e o Passa
ou Ultrapassa
.

Hoje, o Fala y Fala e o Passa ou Ultrapassa
são transmitidos em nosso canal no Facebook – revezando às quartas-feiras, ao
vivo, às 20h – e o Cadeira Cativa acontece às terças, também ao vivo, às
21h, no YouTube.

Criamos também um quadro chamado Report, em que
trazemos curiosidades e fatos históricos, que são mais bem trabalhados em
termos de conteúdo e arte. E ainda estamos pensando em um próximo programa, de
debates.

No Grande Prêmio em si, há a cobertura cotidiana, que está reduzida, o noticiário, mas estamos fazendo um cross de mídias para trazer conteúdos frios e de amplo interesse. Houve uma queda na audiência, mas todo esse trabalho está sendo feito para manter nosso público conectado e engajado.

 J&Cia − Como o coronavírus afetou o cotidiano dos jornalistas da equipe? A jornada de trabalho foi alterada?

Victor − Em um primeiro momento, a escala foi reduzida em
uma hora diária e reorganizada para dar folgas de até uma semana aos
jornalistas, em formato de revezamento. Todos seguem trabalhando remotamente e
estão na linha de frente de todos os conteúdos citados.

J&Cia − Qual é
a importância dos
eSports nesse contexto “sem esportes”?
Existe um certo preconceito com o tema, competições oficiais de jogos digitais
são muitas vezes classificadas como “brincadeira” ou
“diversão”. O que você pensa sobre isso? Já existem iniciativas, mas
de que maneira o automobilismo poderia aproveitar melhor os
eSports,
principalmente durante a pandemia, mas também a longo prazo?

Victor − Todas as categorias acabaram adotando o eSports
como solução “oficial” para este momento. Nesse sentido, pode-se dizer que a
Indy é aquela que mais soube trabalhar a questão, já que todos os pilotos do
mundo real participam das corridas virtuais. Na F1, dos 20 pilotos titulares,
apenas cinco ou seis acabam correndo. Considerando que são eventos das
categorias, a importância é grande e mantém não só os pilotos na ativa, mas
patrocinadores e imprensa. Ainda há um certo desdém, mas tem sido cada vez
menor.

Do nosso lado, estamos para anunciar parceria com uma grande categoria brasileira para transmissão das corridas virtuais e trabalhando para realizar uma corrida virtual beneficente com um piloto de renome.

J&Cia − Em
termos de audiência, quais foram os impactos detectados no Grande Prêmio?

Victor − A audiência diminuiu em cerca de 30% nestes dois
meses em que estamos sem corridas, em comparação a fevereiro. Era uma queda já
esperada porque as corridas não foram realizadas, mas isso gerou um impacto
muito grande também em termos comerciais.

J&Cia − Você
pode falar um pouco sobre os impactos econômicos gerados pelo coronavírus no Grande
Prêmio? Houve cortes de salário ou demissões?

Victor − Houve de fato uma queda impactante de receita, mas
não sem cortes de salário nem demissões. Grande parte desse trabalho que
estamos fazendo é justamente para termos mais ofertas para mostrar ao mercado
que não estamos parados e que há uma série de possibilidades de unirem suas
marcas a um conteúdo de primeira feito por um grupo de mais 20 profissionais.

J&Cia − Quais
são diferenças, vantagens e desvantagens do trabalho em
home
office?

Victor − Não houve uma mudança em si no dia a dia do nosso
trabalho, afinal ele já era praticamente 100% feito em home office. Como
temos repórteres espalhados em várias cidades do País e um correspondente
internacional, a condução da operação já era da forma como é hoje. A única
diferença é que havia gravações de programas em vídeo em uma produtora e de podcasts
em outra e tivemos de abrir mão delas por causa da pandemia. Por isso é que
estamos produzindo esses programas de outra forma, cada um em sua casa.



Fonte: Portal dos Jornalistas

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